Um post despretencioso

Não queria fazer mais um post sobre a Copa, nem da F1, esse final de semana tem corrida, até porque por mais que eu esteja contaminado com a febre da copa percebi que os esportes não são os temas mais bem vistos no blog. 

Isso denuncia que ou escrevo muito mal sobre esportes ou o meu pequeno público de uns 7 leitores não gosta muito desse tema.  Melhor eu ficar com as duas opções porque não sou nenhum especialista em esportes mesmo.

Mas não posso deixar de falar da copa.  Vocês vão me perdoar, mas não dá.  Mas não vou aqui fazer análises táticas ou dizer que o futebol está ruim (porque está), mas sim pelo que a copa pode nos mostrar e nos ensinar.

Uma seleção em especial me chamou atenção.  A seleção dos EUA.  Por que os EUA?  Bem, a gente sempre acha que quando os EUA estão jogando futebol, em algum momento eles vão pegar a bola com a mão e sair correndo com ela até a linha de fundo e gritar “Touchdown!”  mas não, eles não vão fazer isso.

Aos poucos os americanos estão descobrindo o que é o futebol e como esse esporte é fascinante.  Os jogos da seleção deles já deram mais audiência do que as finais da NBA.  Acho que falta muito para a copa superar o Superbowl ou a Indy 500, mas que está em franca ascensão isso está.  Se eles chegarem a uma final, quem sabe.

A seleção dos EUA não é ruim.  Joga um futebol direitinho, precisa ser respeitada.  Vale lembrar que eles são os atuais campeões da Concacaf e vice da copa das confederações (eliminando a Espanha e quase derrotando o Brasil na final).  Então, assim como um clube um time que ganha sempre desperta mais torcedores.

O futebol tem tudo o que os americanos não gostam em esportes:  em primeiro lugar não tem interrupção.  O futebol são 45 minutos direto, sem tempo técnico, sem bandeira amarela, sem nada.  As TVs de lá sempre devem pensar que faturam muito pouco com futebol.  O futebol também dá poucos pontos.  Partidas em 0X0 são normais.  Dos esportes mais apreciados deles o que dá menos pontos é o baseball.  Teoricamente o futebol americano também pode terminar 0X0 mas se isso ocorrer o jogo foi ruim de doer.

Mas aos poucos eles vão descobrindo o esporte mais popular do mundo.  Seja por conta da grande quantidade de imigrantes que lá reside, oriundos de países que amam futebol, seja pelo mercado milionário que ele desperta, eles estão vendo que o futebol pode sim se adequar a eles, aos seus gostos.  Veja a campanha da seleção deles nesta copa:

O que eles fizeram até agora já daria um belo filme.  Os Eua são zebra na copa.  Mas repare o que fizeram.  Na primeira rodada empataram com a potência do seu grupo, a Inglaterra.  Foi um belo frango de Green mas eles se mantiveram vivos.  A Eslovênia era uma grande surpresa e eles arrancaram outro empate.  Mas um empate em 2X2 quando começaram perdendo de 2X0 e teria sido uma virada não fosse erro da arbitragem (rumores dizem que o juiz ganhou uma passagem para Guantanamo após a partida).  E depois uma vitória de 1×0 sobre a Argélia.  Nada demais.

Mas se olharmos direito a história de cada jogo, sobretudo os outros dois, tirando o da Inglaterra, veremos o quão guerreira é essa seleção.  A Eslovênia surpreendeu no primeiro jogo e mais ainda os americanos que foram para o intervalo perdendo por 2X0.  aí começa o enredo hollywoodiano:  Eles voltam do vestiário transformados, um time com alma, empatam, viram e…  são prejudicados pelo juiz.

Com a classificação em risco lá vão eles enfrentar a Argélia enquanto que a Inglaterra pega a surpresa Eslovênia. A Argélia segura o empate, os EUA são melhores, fazem um gol mal-anulado (mais um), tem um pênalti não marcado, ou seja tudo dá errado.  A   Inglaterra vence por lá, o que dá esperança, mas a Eslovênia já tem quatro pontos e os ingleses cinco.  Com o empate os americanos estão ficando com três e em terceiro no grupo, logo fora da copa.  Os eslovenos comemoram por lá pois seu jogo já acabara.  Mas, aos 46, surge um gol salvador.  Coisa de filme.  No último minuto, o gol salvador.  Esse o juiz não anulou.  E lá se vão os americanos para as oitavas.

O futebol é mesmo apaixonante.  Nos permite acompanhar na vida real esse tipo de história e nos ensina a nunca desistir.  Não desistir é bem do feitio dos americanos.  Lutar até o último segundo.  Pode-se criticar os americanos por um monte de coisas, menos por sua determinação, sua concentração e sua disposição.

Pois qualquer um poderia desistir vendo o fim do jogo chegando, a placa de três minutos de acréscimo subindo e depois ter sido prejudicado e muito pela arbitragem.  Mas, eles ainda tentaram.  Ver o gol mostra bem o que era.  O gol é feio, mas é um gol raçudo, de luta, chorado.  E assim, aí vão eles.

Acabou formando a oitava mais triste de todas.  EUA e Gana.  Ambos mereciam avançar mais na copa.  Os americanos por isso tudo e Gana por ser a África na copa da África.  Mas infelizmente só um seguirá.  Jogando o politicamente correto para escanteio, eu torço pelos americanos.  Mas não me chateia uma vitória de Gana.  Desde que seja no campo e não no apito.

Se a jornada americana continuar, certamente Hollywood nos dará um filme dramatizando essa história.  E será uma beleza.  Eles estão no nosso caminho nas semifinais, se ambos chegarem lá.  Mas os americanos já nos ensinaram que, mesmo que o jogo esteja duro, a arbitragem contra, o jogo nos acréscimos, só termina quando o juiz apita.  Nunca desistir.  Esta é a lição.

E eu prometi não falar mais de copa…

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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