Novos apuros com o Red 5

[Dando uma pausa na copa do mundo para contar um causo louco da vida]

Eu tenho certeza que o Red 5 ao sair de seu local de nascimento lá em Betim-MG, se tivesse uma oportunidade para escolher seu dono ele não teria me escolhido.  Não me considero um bom dono para ele.  Há muitos carros que tem donos melhores que eu.  Não que eu trate mal o Red 5, acho que o trato muito bem, dentro dos limites, afinal ele é um carro e não meu filho.  Mas o que eu faço ele passar, e o que já passamos juntos…  Acho que ficarei com pena de vendê-lo por tudo que a gente passa.

 Essa foi nesse fim de semana, no sábado.  Estava vendo o jogo da Inglaterra contra os EUA [Quem disse que a copa tirou folga?] no frio siberiano de Petrópolis.  Deveria estar no Lord Jim, mas o Pedro foi arrumar uma namorada e jogou meus planos de ver um jogo da Inglaterra em um legítimo Pub por água abaixo.  Por isso fiquei em casa mesmo.

 A aventura começa quando meu tio me chama para ajudá-lo com o Dunga [Olha a copa aí de novo].  Dunga é o carinhoso nome pelo qual ele chamou seu cachorro.  Ele é um legítimo exemplar dos SRD (Sem Raça Definida – o nome politicamente correto para vira-lata).  O Dunga, em sua infinita sabedoria foi perseguir um ouriço.  O placar final foi ouriço 30 X 1 Dunga (ele tinha espinho no céu da boca, vou presumir que ele conseguiu uma mordida no bicho.  Ele e a minha tia segurariam o cachorro enquanto que eu ia tentar tirar os espinhos.

 O problema é que o cachorro já estava inquieto com aquilo, contando com o fato de dois estarem segurando ele, obviamente ele não deixou eu mexer.  E os espinhos haviam entrado bem.  Resumo da ópera, o cachorro teria que ir ao veterinário.  E a tarefa recai sobre mim e o Red 5.

E assim, forrei o banco traseiro com plástico e pano para evitar que ele rasgasse o banco e também outros acidentes.  Meu tio foi segurando ele e meu primo (filho dele) foi junto com a gente.

 A viagem ao veterinário foi sem problemas, o Dunga até que foi bem quieto sem qualquer complicação.  Chegando ao veterinário, este lhe aplica uma anestesia e pronto.  Parecia o trabalho mais fácil do mundo tirar espinhos dele.  O veterinário tirou todos os espinhos, ele sangrou bem, depois limpou o local, deu-lhe antibiótico e anti-inflamatório e fomos liberados.  Aí começam os problemas.

 O Dunga foi meio chapado de volta para o Red 5, o que prenunciava um retorno mais tranqüilo ainda.  Eu havia estacionado o Red 5 no estacionamento da clínica que era em uma rampa, e permitia a descida para um grande pátio, onde eu faria a manobra para voltar e evitar sair em uma rua movimentada de ré.

 Fui descendo a rampa e, chegando ao final dela virei a direita para manobrar.  Estava tudo absolutamente escuro e, ao virar ainda tinha um pouco de rampa.  Resultado, o Red 5 caiu esse pedacinho e ficou com a roda dianteira direita uns 30 cm do chão.  O Red 5 acabou apoiado pelo fundo e, não dava para sair pois as rodas giravam em falso.

 É bem verdade que se eu tivesse uma palio adventure locker ou um veículo 4X4 sairia dali sem problemas, mas como o pobre Red 5 não é nada disso ficamos presos.  A solução óbvia era calçar a roda que estava pendurada para permitir que o carro tivesse tração para sair dali.  Tentamos com pedras umas 4 vezes.  Em todas o Red 5 jogava todas as pedras para longe.  Estava já a ponto de chamar o reboque para tirá-lo de lá quando meu primo saiu e chamou os motoboys da pizzaria ao lado.  Eles vieram com a idéia de suspender o Red 5 para colocá-lo no lugar.  Isso obviamente não funcionaria primeiro porque o Punto pesa mais de uma tonelada e segundo que isso traria mais prejuízos que um reboque, com os danos a lataria.

 Mas um deles teve a brilhante idéia de levantar o carro com o macaco e aí sim colocar bastante pedras e depois arriar o macaco.  Levantando ele pelo macaco deu pra subir ele bastante e pudemos colocar bastante pedras, e depois ao arriar o carro, o peso dele sobre as pedras contribui para que ele não jogasse as pedras longe novamente.

 Nesse esforço conseguimos tirar o carro de lá.  O Dunga a essa altura já havia passado o porre da anestesia, estava agitado dentro do carro e doido para sair.  Nisso ele causou uma grande zona lá dentro enchendo o pobre red 5 de pelos.  Como castigo, acabou voltando no porta-malas.

 O resultado final é que hoje tanto o Dunga quando o Red 5 estão bem, o Red 5 sem qualquer arranhão e o Dunga se recuperou maravilhosamente bem, e já está a caça do ouriço outra vez.  Espero que ele não o encontre.  Sobrou apenas a história para contar no Blog.  Graças a Deus.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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