A Seleção brasileira (versão emocional)

Melhor escrever isso antes do primeiro jogo pois ainda não sabemos nada que vai acontecer, o Dunga trancafiou a seleção e ninguém realmente sabe como esse time vai jogar a copa.  Sabemos quem jogará, mas não sabemos como.  A seleção quer ganhar da Coréia do Norte em tudo, até no isolamento.  Mas vamos falar de coisas legais da seleção:

 O tema da copa que pegou (Wavin Flag) tem um dos versos que diz “See the champions take the field now”  Quando ouvi pela primeira vez essa música prestando atenção na letra, esse verso me remeteu direto a seleção brasileira entrando em campo.  Mas por que?  Seria por causa do clima da copa e da emoção que causa?  Claro que sim.  Mas também por isso:

 Uma das coisas que noto em nossa seleção é a falta de apelido.  A seleção brasileira não tem um apelido.  Explico:  A Itália é conhecida como “squadra Azzurra”, a Espanha é “A Fúria”.  O Uruguai “A Celeste Olímpica”, a França os “Bleus”.  A Holanda, a “Laranja Mecânica”, a Dinamarca é a “Dinamáquina” até mesmo a África do Sul com os seus “Bafana Bafana”, a Nova Zelândia com os “All Whites”, muitas seleções, a maioria delas tem um apelido.  O Brasil não.

 Já foi chamada de seleção canarinho, mas não é um apelido comum.  Durou apenas uma copa e é apenas uma maneira carinhosa de tratar a seleção, não é um apelido.  Na verdade a seleção brasileira tem um apelido:  “A Seleção”.

 Sim porque nenhum time de futebol no mundo é tão temido como esses caras de camisas amarelas.  Levaram o jornal alemão a descrever o futebol como “um esporte jogado com uma bola nos pés com onze jogadores em cada time e que os brasileiros sempre vencem”  A mitologia da Seleção Brasileira é ímpar no mundo.

 Existe um clube mais seleto que o G8 que é o grupo dos que foram campeões mundiais de futebol.  Dentro desse grupo temos o Uruguai que poderíamos dizer que é o velho do grupo.  Aquele que vive das glórias do passado, está lá por direito e mérito, mas os seus feitos datam de muito longe…

 Tem a Inglaterra, que seria aquele senhor posudo que é o fundador do grupo.  Embora tenha sido ele o criador do grupo nunca foi tão bom quanto seus companheiros, mas está lá, porque não é tão bom quanto os outros, mas não é ruim para ser deixado de fora.  Tem a Argentina que é aquele sujeitinho marrento e mais chato de todos, mas que todos aturam porque ele conquistou o direito de participar.

 E a França, como aquele moleque impertinente que perturba o tempo todo para participar dos eventos dos homens, quer porque quer entrar, passa a vida tentando, até forçar a barra e finalmente conseguir.

 E aí tem aqueles membros realmente bons do clube.  A Alemanha como aquela que é a especialista em eficiência.  Conhece todas as nuances do jogo e, ainda que não possua a técnica perfeita, sabe utilizar o jogo com tal eficiência para seu proveito que a torna respeitadíssima quando os membros se reúnem para jogar xadrez.

Tem a Itália com seu espírito passional e raça, determinação, vontade, como aquele cara que nos leva para a frente nos grupos, aquele que nos motiva e que joga com o coração, nunca inclinado a desistir.

 E tem o membro mais famoso do clube, o Brasil.  Que seria aquele tipo que todos nós conhecemos de malandro, do gingado, da arte, da técnica, que é capaz de rasgar todos os livros de eficiência alemã, que consegue sobrepujar todos os outros membros do clube com sua graça, seu talento que não tem qualquer explicação senão um dom natural que ninguém sabe de onde veio e porque é tão grande nele.  E faz dele o membro mais respeitado e temido do clube, e de todo o futebol mundial.

 Nos três mais populares esportes coletivos do mundo tem três equipes lendárias.  Aquelas que representam tudo aquilo do esporte.  Aquelas que quando você ouve falar do esporte, você lembra imediatamente:  Tem o All Blacks no Rugby, a seleção dos EUA de basquete e a seleção brasileira de futebol.

 Por isso não dá para pensar em mundial de futebol sem pensar em Brasil.  Considere uma copa do mundo sem o Brasil:  Não vai ter graça nem para os adversários.  Da mesma forma as olimpíadas sem os EUA no basquete e a copa do mundo de Rugby sem os All Blacks.  Seria muito estranho.

 Pois essas três equipes podem não ganhar sempre, pois se assim o fosse o esporte não teria graça.  Podem não ser as melhores em determinadas épocas do mundo, mas nunca perdem seu prestígio e o temor que despertam pois, mesmo em má fase, todos sabem que são sempre gigantes que podem despertar a qualquer momento.

 E por que a seleção brasileira é “A Seleção”?  Porque é sonho de todo jogador de futebol estar ali.  É o melhor do mundo, é o time que representa o esporte no mundo.  E mais, é do esporte mais popular do mundo.  E o que é preciso para se estar ali?

 A competição é dura.  Vestir a camisa amarela em um jogo significa que você está entre os melhores dos melhores (sem entrar em méritos de convocação de técnicos). É uma disputa acirrada, para cada vaga de titular ou reserva sempre tem uns três do mesmo nível ou que podem atingir o mesmo nível que ficam de fora.  Todo mundo no Brasil nasce com uma bola no pé.  Um jogador medíocre aqui é um craque em outro canto do mundo.  Um vacilo seu e pronto, você está fora.  E não é mais do time mais temido do mundo.

 Mas existe um requisito a mais para ser do time mais temido e admirado do mundo.  E esse é mais difícil ainda de se ter.  Para participar desse time é preciso ser brasileiro.  Para entrar em campo com ela, tem que ter nascido nessa terra, a mais bela de todas.  E é isso que faz com que Cristiano Ronaldo, Messi, Eto’o, Lampard, etc, jamais tenham esse gosto, de estar jogando com os melhores no time dos melhores.  Eles não podem.  Eu posso.  Só preciso treinar um pouquinho.

 É agora.  “See the champions take the field now” Seja o que Deus quiser no começo da caminhada do mais temido time de futebol do mundo.  Aí vem “A Seleção”.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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