Os shows da minha vida

Recentemente estive num show da Ivete Sangalo em minha terra, Petrópolis e bem, como tudo agora é motivo para post no blog, eis que esse show me deu mais uma idéia de post.  Não vou falar particularmente do show da Ivete, mas um pouco dos shows que já fui na vida e dos que ainda me faltam ir, e também do que deve ser para um cantor fazer um show desses.

 A começar, eu penso que, para um artista ter sucesso, ele precisa ser bom em shows.  Não adianta o cara ter uma música muito boa se ele não é bom ao vivo.  Se não for bom ele não vai muito longe.  Essa sempre foi a grande crítica por trás das boy bands e outras.  Afinal, se eles não cantavam bem ao vivo, precisavam de infinitos filtros eletrônicos para sua voz ficar boa, como se dariam bem em um show?

 É minha opinião que um show tenha que ter bastante coisas para se ver, afinal estou falando de shows de bandas de primeiro escalão, não basta só botar a banda lá e tocar, mas o essencial é a banda estar lá tocando.  Então, o principal é o som, e sem playback, as pessoas pagam para ver o artista tocando e cantando ao vivo.  Se ficar igual a versão de estúdio, pra que ir no show? 

 Eu sempre gosto mais de música ao vivo do que de estúdio, mas tem estilos que não funcionam bem em estúdio (minha opinião).  O Axé e o samba enredo por exemplo, são muito melhores se ao vivo do que as gravações de estúdio.  No caso do samba-enredo, aquele cantado na avenida mesmo, durante o desfile (mas sem o coral do Digimon que a Globo coloca).  O Axé é um som feito para dançar, curtir, feito pra ser cantado do alto de um trio elétrico, por isso funciona muito mais ao vivo.

 Já tem ritmos que, ao vivo ninguém merece.  O rap, o Hip-Hop, o funk…  Esses ritmos são tão dependentes da eletrônica que não conseguem ser feitos ao vivo.  Um show de um cantor desse estilo só vai ter ele lá cantando igual ao CD e gritando Yo! De vez em quando.  

 Tiro isso pelos shows que já fui.  Todos os ritmos que citei acima não são os que ouço normalmente em casa ou no carro.  Mas, como disse fui num show da Ivete Sangalo.  De abertura teve Buchecha (!).  E, eu fui porque eu queria (tudo bem, o Buchecha foi engolido, queria ir na Ivete), então, acho que os ritmos tem seus lugares para existir.

Por exemplo, fui num show do Dj Tiesto no Riocentro.  Era um clima de Rave e o cara estava lá.  Sempre pensei, mas um show de DJ?  Vai ser bate estaca o tempo todo.  E foi.  Mas sabe que foi bom?  O Tiesto é realmente muito bom, e por mais que sua música se baseie na eletrônica, esse é o princípio o tempo todo, o que quer dizer que ele fará seus truques, eletrônicos ao vivo.  E fará bem.  Muito embora DJs podem fazer todo o seu show em casa ou no estúdio, gravar num pen drive, e passar para a galera lá e ficar balançando os braços para o público.  Ele não fez isso.

 Mas enfim, vamos ao que interessa e divertido:  Eu nos shows.  Só para se ter uma idéia, já fui desde show de MC até show de Heavy Metal.  Descobri que consigo me divertir em qualquer coisa.  Show de MC em geral é um saco, mas dura pouco.  Acho que o show mais curto que fui foi um desse, o tal do menor do chapa.  Eu nem sabia que ele ia, tinha ido na boate, e eis que ele surgiu lá e fez um “show” de 10 minutos.  Foi até longo visto a porcaria que foi.

 Já estive em muito show furada.  Petrópolis não é um lugar conhecido por ter bons shows.  Então, quando tem, você encara de tudo.  Antigamente tinha a exposição agropecuária que trazia uma semana de shows no ano.  Um bom por evento, outros mais ou menos e, claro, as furadas.  A maior parte dos shows que fui eram desse evento.  Inclusive os ruins.

Talvez a furada mais engraçada que eu já passei foi ter ido a um show da Rita Lee nesta exposição.  Não lembro o ano, mas eu era bem novo.  Foi meu primeiro contato com a erva.  Não, eu não fumei, mas tinha uns sujeitos ao meu redor que acenderam o maior bagulho que eu vi até hoje.  E olha que eu vi bastante baseados na minha vida depois daquele…  E os caras fumavam tanto, que eu acabei meio doido só de estar perto. 

 As vezes o show nem é a furada, mas o caminho até ele.  Ou as conseqüências dele.  Teve em Itaipava um show do Zezé de Camargo e Luciano, na época que eles estouraram.  Eu não fui nesse show, mas a cidade inteira foi.  E nisso inclua minha mãe, minha irmã, minha tia e todo mundo que eu conheço e mora perto da minha casa.  Era um sábado, eu tinha saído para outros cantos, cheguei sem ter ninguém em casa e…  sem chave.  Passei a noite ao relento por causa da dupla sertaneja.  O pior é que minha mãe e minha irmã não conseguiram chegar ao show por culpa do trânsito.

 Mas o pior show que eu já fui sem dúvida foi de pagode.  Essa exposição acontecia em fim de abril e começo de maio.  No dia primeiro de maio a entrada era gratuita.  E sempre era um show ruim.  Mas enfim, juntamos uma galera, e fomos porque era de graça.  A exposição não tinha só show, tinha parque de diversões, bebida e mulheres.  E foi por isso que fomos.  Ah, mas tinha o show.  O show era do grupo Pirraça (pagode). Nunca tinha ouvido coisa tão ruim.

 Nem me peçam para lembrar uma música que seja deles porque eu não vou lembrar.  Passamos o show fazendo bagunça, jogando os outros pra cima, bagunçando, enfim…  tudo menos ouvir o som dos sujeitos, mas a gente tentou, nos cinco primeiros minutos.

 Os melhores shows nacionais que eu já fui foram também lá.  Um dos inesquecíveis para mim foi dos Paralamas do Sucesso que acabavam de voltar depois do acidente com o Herbert Viana.  A banda estava tão empolgada que tocou por três horas.  Tocaram músicas que eu jamais sonharia que eles tocariam (sabe aquelas esquecidas nos discos que parece que só você conhece?  Pois é).  Os titãs também estiveram por lá, logo após lançarem o primeiro acústico e fizeram um show de pauleira e protesto.  Excelente, quando ainda tinha o Fromer vivo e a banda ainda era um sexteto.

 Teve o Monobloco no Maracanã.  Afora as particularidades do show, com muitos convidados, o Monobloco é algo impressionante.  Eles conseguem tocar bem com qualquer um.  Coloque o Bono Vox com o monobloco que vai dar certo.  Em outra vertente, coloque o MC créu que o Monobloco salva ele.  Me tornei um fã da banda (ou seria bloco?).  Agora sempre que puder estarei lá M-O-N-O-B-L-O-C-O (é para soletrar).

 Em termos de shows internacionais, ainda tenho pouca vivência.  Para fazer parte da história fui ao Rock in Rio III e fico aguardando o IV.  Para um festival do porte do rock in rio, o dia que escolhi para ir foi fraco, onde, a banda que deveria ser a chamariz era o Red Hot Chili Peppers, que fez um show burocrático demais.  O melhor show da noite foi do Capital Inicial.  Mas posso falar que fui no Rock in Rio.

 Aí, tem o melhor show da minha vida.  Em abril do ano passado eu fui no Kiss.  Lembram daquela listinha de coisas que eu tenho que fazer antes de morrer?  Pois é.  Uma delas era ouvir Rock and Roll all nite ao vivo.  Realizei neste show.  E foi demais.  Chequem o vídeo.  O Kiss é o Kiss, não tem mais adjetivos.

 É bem verdade que há uma semelhança entre o show do Kiss no Rio de Janeiro e o show da Ivete Sangalo em Petrópolis:  Para ambos, esses shows são seu ganha pão.  Não vou dizer que eles não gostaram de fazer esses shows, não tenho como apurar isso (eles sempre falarão que gostaram), mas ambos os shows foram feitos com total profissionalismo.  Isso quer dizer que foram shows bem feitos, caprichados e bons demais, mas para eles, os artistas, não foi nada demais.  Algo como enquanto o meu vôo Rio x SP foi inesquecível para mim, foi rotineiro para o comandante da aeronave.  Não há nada de errado nisso da parte do artista, afinal não tem como cada show ser para ele uma nova emoção, algo marcante. 

 E há mais semelhanças entre os dois:  Ambos sabem fazer uma excelente interação com o público.  Gene Simmons fala, e faz, o que o público quer ver.   Acontecem coisas inesperadas que eles sabem contornar, como o Peter fez com a guitarra que desafinara, ou com a chuva.  Isso torna o show divertido, mas o mantém dentro do profissional.

 A Ivete pode-se falar o que quiser dela, menos que ela não tem carisma.  Ela sabe brincar com o público, divertir as pessoas, interagir com a galera.  Poucos artistas conseguem fazer isso tão bem.  Ela fazendo o leilão de uma calcinha foi impagável.  Também ela soube contornar bem os problemas.  No caso dela, o que me espantou foi o Roadie.  Aquele cara deveria estar na F-1 fazendo pit-stops.  Ele trocou as botas da Ivete por um par de tênis em segundos.  Garanto que Lótus, Hispania e Virgin gastam mais para trocar os pneus de seus carros.  Ele tem vaga lá certa.

 Mas enfim, é melhor eu ficar por aqui antes que me matem por estar comparando Kiss e Ivete Sangalo (os fãs de ambos individualmente irão me matar).  Sei que o melhor show que eu for na vida ainda está por vir, pode ser de uma banda que eu já vi, ou não, mas no caso de shows, sempre pode melhorar.  Você só precisa ir a um show com vontade de curtir.

 

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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2 respostas para Os shows da minha vida

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