Glory Days

[puxa vida, não consigo me libertar dessa mania de colocar títulos em inglês]

Estou tendo que formatar meu desktop.  Atualmente tenho dois pcs, um laptop e um desktop.  Meu desktop tem o apelido nerd de USS-Zort, NCC 17122-C.  Não vou explicar aqui o apelido, esse é bem mais nerd que o Red 5.  Mas o fato é que ele está com seu pobre HD lotado, o Windows pedindo arrego portanto, pedindo uma formatação.

Bem, formatar o pc é o equivalente moderno a arrumar as gavetas do quarto.  Você começa a arrumar e sai achando coisas que você nem imaginava mais que tinha.  Uma carta que você recebeu, algumas fotos antigas, pessoas que você não vê mais, momentos que não voltam mais.  No caso do HD você encontra um monte de fotos, algumas cartas também, até vídeos.  É engraçado.

Sim porque você não vai simplesmente formatar o HD e apagar tudo o que tem lá.  O config.sys e o command.com serão destruídos sem piedade, mas você não quer perder suas fotos.  Nem o seu trabalho de conclusão de curso, nem seus vídeos, ou pesquisas, ou aquelas coisinhas legais que você fez no pc e não quer perder…

Aí eu fazendo essa salvação de almas, enquanto ia zipando todo mundo para economizar DVD´s fui encontrando algumas fotos que pontuam esse post.  Essas fotos me fazem lembrar dos momentos, que me fazem lembrar da música homônima ao título do post (o vídeo acima é o clipe dela), e elas me lembram dos meus “glory days”  Sim eu tive os meus.

A música fala dos amigos de escola, de um que era um baita jogador de Baseball, e de uma garota que era a musa da turma.  Mas o mote são aquelas coisas que fizemos na nossa juventude e que marcam nossos dias…


Olhando as fotos que encontrei também lembrei do episódio final de “Band of Brothers” em que dois dos oficiais principais da série olhavam fotos do tempo deles no campo de treinamento ainda nos EUA dois anos antes.  E eles se perguntavam onde aqueles garotos tinham ido parar.  De fato a guerra os fez amadurecer demais e os garotos ficaram para trás no tempo.

Confesso que eu me olhando nas fotos me fiz a mesma pergunta.  Onde esse garoto foi parar?  Meu cabelo era diferente, tudo o que eu fazia era diferente.  O que eu tinha na cabeça era diferente, os planos eram outros.

Eu não era bom de Baseball, nem de futebol, mas eu poderia ter tido sucesso em algum esporte.  Corri os 100m em 12s cronometrado no exército em pista de terra batida, sem raia, sem bloco de partida (partindo de pé) e sem sapatilha (de tênis normal).  Isso impressionou o pessoal, ganhei fácil dos outros e, esse teste não foi problema para minha entrada nas forças armadas.

Penso na pessoa que eu era quando estava no segundo grau por exemplo.  Era um belo moleque que só pensava em pegar as garotas (sem sucesso diga-se de passagem), estudando a noite em escola pública porque queria trabalhar e comprar um carro.  Não pretendia gastar dinheiro com escola, por isso fui para a pública, ou me mantive nela, já que sempre estudei em escola pública.

Não pretendia fazer faculdade, por exemplo.  E naquele tempo passou muita gente que eu já trazia amizades de antigamente, de gente que eu conheci por lá e de pessoas que eu conheceria por meio deles.  Estava lembrando dessa turma.

Tinha o Schmitt.  Conheci esse cara no CA.  Estudamos juntos até nos formarmos no segundo grau.  Excelente goleiro e mais excelente ainda amigo.  Era com ele que sempre vinha da escola no segundo grau e sempre parávamos na padaria para um biscoito.  Por conta dele ter problemas de estômago naquela ocasião, o biscoito tinha que ser aquele água e sal.  Tenho a impressão de o estoque desse biscoito da padaria estava lá só para a gente.

Compunham ainda o sexteto no segundo grau uma galera que eu vejo até hoje:  Marcinho, Dudu e Zangief.  o sexto elemento variava, foi o Vinícius, foi o Tiago…  No final era o Alan Jackson.  Ainda tinham mais aqueles que vieram do primeiro grau mas acabamos nos separando nas turmas, como o Vínas e o Grilo.

A maneira como cada um seguiu suas vidas é tão diferente como nós mesmos éramos.  Alguns surpreenderam, outros apenas seguiram o curso da vida…  Do sexteto todo mundo casou, exceto eu e o Marcinho.  Mas o Marcinho está no caminho.  A vida não sorriu pra mim nesse lado, mas é a vida, fazer o que?

Teve um cara, na oitava série que era meu xará e que era o maior CDF com quem eu estudei.  Todo mundo dizia que ele ia se dar muito bem.  Quando eu estava no terceiro ano, encontrei ele já na faculdade, iniciando engenharia elétrica.  Mas quando eu fui para a minha faculdade torno a encontrá-lo como bilheteiro da empresa de ônibus que faz a linha para o Rio de Janeiro.

O que o destino fez com a gente também foi bem diferente.  Praticamente tudo o que nós planejamos não funcionou.  Mas a vida não foi ruim.  E de repente eu, que queria ir para o Exército estava na igreja cuidando dos encontros.  E meu sonho de ser general estava sendo realizado, mesmo que apenas em partes.  E de repente tudo o que eu prezava na vida estava ali.  Era respeitado, tinha um comando, sabia como fazer e executava o que tinha que ser feito.  Eu era do apoio e nós, do apoio éramos o BOPE da paróquia, a tropa de elite da igreja.

E esses foram os meus dias de glória.  Por vários dias lá estava eu no meio do mato cuidando das atividades, fazendo represas, bolando dinâmicas e liderando um grupo.  E estava tão a vontade naquilo que sabia exatamente o que fazer.  Nunca era pego de surpresa por mais que tudo parecia dar errado.


Mas tudo tem um fim.  Hoje em dia penso que, na vida, nada dura para sempre, as coisas, por melhores que sejam sempre tem um fim.  basta ver as pessoas que mais prezamos e, de repente elas precisam seguir a vida delas e nem sempre terá espaço para a gente.  E assim, os dias de glória ficam para trás, porque a tropa de elite precisava seguir em frente.

E assim, com cada um seguindo seu rumo a vida segue e, hoje, durante um vácuoo desses bons momentos eu me sinto mais como o cara da última estrofe da música que ficará velho e, mesmo não querendo, ficará falando daqueles que foram seus dias de glória.  Quando ele teve tudo o que queria, mas que as coisas se acabaram e nada restou.  Só o trabalho de construir tudo de novo, como a vida sempre faz conosco.

E enfim, vou formatar o PC e as fotos ficarão aqui, salvas em DVD para um dia qualquer, eu abrir e me lembrar dos dias de glória de novo… and, life´s going on.

Para quem quiser entender além do clipe, a letra da música está aqui:

http://letras.terra.com.br/bruce-springsteen/37991/traducao.html

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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Uma resposta para Glory Days

  1. Pingback: O dia da Crisma | Blog do Fernando

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