Indy 500

Eu sei que eu prometi a continuação do post anterior para hoje.  Mas ainda preciso amadurecer as idéias para ficar legal.  Não quero correr o risco de escrever, ficar uma porcaria e eu ter que mudar tudo.  Não acho isso legal.  Afinal, como disse Pilatos, “O que escrevi, está escrito”

Domingo agora teremos as 500 milhas de indianápolis.  A corrida mais tradicional do mundo, e mais famosa também.  É uma corrida que tem tudo o que tem uma corrida da Indy em oval:  Se resolve na última volta, se o líder abrir 7 segundos de vantagem eles arrumam uma bandeira amarela e os carros só precisam fazer curva para a esquerda.  Mas estamos falando das 500 milhas de Indianápolis.  500 milhas dá uns 800 Km.  Só para se ter uma idéia, uma corrida de F1 tem em média 350 Km de extensão.  A corrida em Indianápolis dura fácil umas tres horas.

Tá certo, pra quem não gosta de automobilismo ficar em frente a TV por tres horas vendo carros dando volta em uma pista oval é um pé no saco.  E nem vou questionar isso não, pois mesmo eu, que gosto de automobilismo não sei se aguento ver (eu vi quando o Emerson ganhou em 1992).

Mas o Indianapolis Motor Speedway está para o automobilismo assim como o Maracanã está para o futebol.  É um solo sagrado.  Então, se um dia eu for lá, esperem um post bem poético como aquele do Maracanã que repousa aqui embaixo.

Mas o que me leva a escrever sobre a famosa corrida nem é a corrida em si.  Mesmo porque ela ainda não aconteceu e tudo está em aberto.   É umas histórias que vi na edição desse ano.  Um pouco das anteriores também.

Vou começar falando do dono da Pole-position (de novo).  Nosso conterrâneo Hélio Castroneves.  Mesmo não sendo tão conhecido do público brasileiro como os pilotos da F1 ele é um dos pilotos mais brilhantes do Brasil.  Nós temos aí a nossa trinca de ouro com Emerson, Piquet e Senna e depois deles procuramos bons pilotos.  Antes de vir Barrichello e Massa tem que obrigatoriamente vir o grande Hélio.

Senão vejamos:  Pela quarta vez ele consegue uma pole em Indianápolis.  Já ganhou a corrida três vezes.  Inclusive a do ano passado.  Naquele ano ele enfrentou um processo que poderia jogá-lo no xilindró americano por conta do imposto de renda.  Ele passou uma parte do ano provando sua inocência e não pode disputar uma prova da Indy na Austrália pois estava proibido de sair dos EUA.  Inocentado, derrotou todo mundo na tradicional corrida.  E, ver o Hélio ganhar uma corrida é um espetáculo a parte.  Todo mundo fica esperando quando ele para o carro e sobe no alambrado.  Os americanos adoram.  É o “spider man”

Hélio Castroneves ainda mostrou que é um baita pé de valsa vencendo a “dança dos famosos” de lá (dancing with the stars).  E mostrou-se bastante simpático e humano, ao contrário de muitos pilotos que temos por aí, sobretudo na F1.  E lá vai ele sair na pole novamente.

E tem um outro piloto que também mostrou o que é lutar até o fim:  Tony Kanaan.  É também dono de um talento sobrenatural, mas tem um azar na pista de Indianápolis só comparável ao Kimi Raikkonen.  Tony já tem até título na Indy, mas na mítica pista, sempre lhe acontece algo.  Já fez uma pole por lá, mas sempre algo dá errado com ele.

Pois esse ano deve ter sido o pior para ele.  Ao bater no dia da classificação teve seu carro destruído, o reserva também já estava batido e ele não pode treinar no “pole day”.  Para o dia seguinte, que seria uma espécie de repescagem lá estava ele no meio da rapa com um carro “frankestein” montado com peças dos outros carros da equipe (ter equipe boa tem essa vantagem).  O carro ficou uma droga, mas o talento dele o pôs no grid.  Em penúltimo, mas ele tem 800 km pra ultrapassar 31 carros numa pista em que não faltam pontos de ultrapassagem. Acho que dá

Mas o que foi mais interessante foi justamente a postura do piloto.  Lutando até o fim, sempre querendo entrar ali.  Um piloto já consagrado como ele poderia simplesmente dizer “deixa pra lá” sair dizendo que não tinha carro e portanto não deu.  E partir para a próxima corrida.  Mas não.  Lutar até o fim.  Nem que seja para sair da última posição do grid.  E domingo lá estará Tony alinhando na última fila.

Um pouco a frente dele uma outra bela história.  E bela em todos os sentidos.  No meio desse grid de Indianápolis lá estará a primeira mulher brasileira a pilotar em categoria top do automobilismo:  A nossa Bia Figueiredo.  Vai para a sua segunda corrida na indy (correu em SP).  Anda muito forte e, sinceramente não sei porque não deram um carro para ela correr a temporada toda.  Tinha fortes chances de ser a novata do ano.

Num país que considera que mulheres não possuem habilidade para dirigir, que sempre faz piadas com mulheres ao volante (perigo constante) fico imaginando quanta piada essa mulher deve ter ouvido nos boxes de kart e das categorias de iniciantes pelo Brasil.  A resposta foi dada na pista e lá está ela no grid da corrida mais famosa do mundo.

E não pensem que alguém resolveu fazer uma jogada de marketing e pagou um cockpit para a moça pilotar não.  Não faço idéia se ela pagou ou não, mas o fato é que ela não está lá para fazer número.  Dentre as 5 mulheres que se inscreveram para disputar a prova ela foi a mais rápida.  Dentre todos os novatos na prova, ela foi a mais rápida.  Por isso considero uma injustiça não terem dado um carro para a moça correr a temporada toda.  Mas, é a vida, e ela chega lá.

Torço muito pela Bia Figueiredo.  Ainda vou vê-la vencendo uma prova da Indy e isso não vai demorar.  O talento não é o que está faltando para ela.  Então, que o resto ela consiga.  Afinal, talento para lutar pelo resto ela também tem.  Um dia ela se iguala a Tony Kanaan e Hélio Castroneves.

Além desses três brasileiros ainda temos um monte de conterrâneos na Indy 500:  Mário Moraes, Raphael Matos, Bruno Junqueira e Mário Romancini.  Nosso país continua sendo muito bem representado no automobilismo de ponta.

Se me permitem sonhar, seria interessante ver, atravessando a linha de chegada, feita ainda com os tijolos do primeiro pavimento da pista na volta 250, nas três primeiras posições Hélio Castroneves, Tony Kanaan e Bia Figueiredo.  A ordem dos três deixo para eles decidirem na pista.

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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