Why We fight? – Part I

(English again…)

Esse post vem amadurecendo na minha cabeça há tempos.  Dia desses vi uma reprise de “Band of brothers” justamente o episódio 9 da minissérie, que tem título homônimo ao meu.  De fato, o título do episódio é que me levou a colocar ele aqui, sem traduzir.

Traduzindo, quer dizer “Por que nós lutamos?” e essa pergunta eu me faço o tempo todo.  Por que lutar?  Por que não simplesmente desistir e assumir que acabou e pronto?  Por que insistir em lutar?  Por que somos assim?  Ou, por que eu sou assim?

Um dia eu vi um jogo de futebol.  Era partida eliminatória, quem perdesse estava fora.  Bem, o placar marcava 4X1 para um dos lados.  O relógio mostrava 44 do segundo tempo.  O que o time que perdia estava fazendo?  Atacando!  Em determinado momento eles tinham escanteio a seu favor e dentro da área adversária estavam os 10 jogadores, goleiro inclusive, para tentar um cabeceio.  O único jogador fora da área era o encarregado de cobrar o escanteio.  O jogo terminou daquele mesmo jeito, mas, por que esses jogadores se esforçavam?  Tinha mais um minuto de tempo regulamentar, mais dois de acréscimo, era impossível fazer três gols.  Por que não simplesmente tocar a bola para o lado e esperar acabar o jogo?  Não havia vergonha, eles perdiam de 4 mas tinham sido ótimos advesrsários.  Jogaram com bravura.  Por que lutar por algo que estava perdido?

Um caso histórico que me chama muito a atenção é dos poloneses:  Segunda guerra mundial, a Alemanha começa sua expansão por eles.  Ao mesmo tempo os russos invadiam do outro lado cumprindo um acordo de Stalin com Hitler.  Os poloneses não tinham como parar o exército mais avançado tecnologicamente e treinado do mundo.  Ninguém tinha.  Os franceses e ingleses também não conseguiriam alguns meses depois.  Apenas os russos o fizeram anos depois.

Aos pobres poloneses restava tentar se defender.  Estavam em um cenário que não podiam vencer.  E houve então um dos episódios mais célebres da guerra:   Em 1 de setembro cerca de 250 cavaleiros poloneses em seus cavalos, empunhando sabres partem do alto de um monte primeiro a trote, depois a galope e investem na famosa carga de cavalaria (a manobra mais temida da cavalaria clássica) contra a infantaria alemã.  Surge então atrás dos soldados alemães tanques Panzer que os massacram em seu avanço.  O que tinham na telha esses poloneses que partiram com espadas e cavalos contra tanques de guerra?  Por que lutaram uma batalha perdida?

Esses dois exemplos ilustram bem o que quero dizer:  Por que lutar em causas que são perdidas?  Por que o ser humano adora isso?  São poucos que o fazem, mas são muitos os que admiram esse ato.  Quem não admira os poloneses ao tentar visualizar aquela cena, o toque de clarim anunciando a carga, o comandante estendendo o sabre e todos aqueles homens partindo em direção a morte certa?  Ou quem não se inspira nos jogadores que lutam mesmo perdendo de muito?

Para citar algo mais familiar a todos, veja o filme “o senhos dos anéis – as duas torres”.  A batalha por Helm´s deep está perdida, Todas as tropas que defendiam a fortaleza tombaram, sobra apenas a guarda do rei e os Orcs batem a porta da última muralha.  O rei está desesperado e quer desistir.  Aragorn então chama o rei para uma última cavalgada “Pela morte e pela glória” e a trobeta soa, eles abrem a porta e saem feito loucos em uma carga contra um exército inteiro.

Enfim, acho que já dá para captar a mensagem.  E eu vejo isso, fico pensando, por que lutar por causas perdidas?  Que tipo de causa?  As vezes lutamos por coisas que simplesmente não tem jeito, mas que nos são preciosas demais para deixarmos para lá.  E lutamos assim por um amor, lutamos para manter uma situação de vida, para manter amigos, companhias quando simplesmente não há mais amor, a sua vida mudou demais e você que não percebeu, seus amigos e companhias não querem ou não podem mais estar com você.  E mesmo assim você parte para a luta.  Investe com espadas contra tanques, acha mesmo que fará três gols em três minutos, etc…  E por que?

Comecei a escrever isso tentando justificar o porquê dessas lutas, mas eu simplesmente não sou capaz.  Mas vejo isso como uma motivação de vida.  O que seria da vida se  tivéssemos tudo o que quiséssemos?  Ou se nada que perdêssemos nos fosse precioso e que não valesse a pena lutar?  O que seria da vida sem luta?

Então essencialmente a pergunta do início (Why we fight) acaba sendo respondida de forma simples:  Lutamos para viver, porque a vida é luta.  Ou seja, a vida está longe de ser um mar de rosas, na verdade ela está mais para um campo de batalha do que para um lugar de repouso.  Pelo menos assim é a minha e, não queria outra coisa.

Mas lutar em batalhas perdidas não é nada bom, mas fazer o quê se elas surgem?  Fugir? Desistir?  Sinto muito, mas não aprendi assim.  A fuga é sinônimo de derrota, desistir é uma desonra.  Seja pelo que for, abaixar as armas e se render?  Nunca.  Como disse o hino nacional, “Verás que um filho teu não foge à luta.”

Só pra constar, Aragorn investiu contra os orcs junto com o rei e sua guarda pessoal e, reforçados por Gandalf e os demais cavalarianos de Rohan que estavam exilados derrotaram aquele exército.

Os poloneses foram conquistados pelos alemães e pelos russos, logo depois os alemães atacaram os russos e dominaram toda a Polônia, depois os russos empurraram os alemães de volta e mantiveram o país dominado sob a esfera de Moscou (a cortina de ferro).  Com a queda da URSS finalmente a Polônia pode se tornar um Estado livre politicamente, economicamente e permitir uma vida digna a seus cidadãos.  Os poloneses nunca pararam de lutar, talvez inspirados nesses anônimos cavalarianos.  Um polonês famoso que jamais parou de lutar foi um tal de Karol Wojtyla.  E a Polônia continua lutando.

o post continua amanhã.

(dedicado aos poloneses que lutam contra as enchentes em seu país e a todos os que lutaram por seu país até hoje)

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
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