O solo sagrado

Eu realmente venho tendo oportunidade de fazer coisas que eu sempre quis fazer na vida.  Tomara que Deus não esteja permitindo isso para me levar em breve.  Mas o fato é que mais uma coisa da lista de coisas que eu tinha que fazer antes de morrer se concretizou.  Pisei um dos solos sagrados dessa Terra.  Não, não foi uma igreja dessa vez, foi o Maracanã.  também não as arquibancadas ou cadeiras, mas o gramado.

Das cadeiras e arquibancadas posso me considerar um bom frequentador não muito assíduo pois, quando quero ver meu time jogar vou na casa dele, aqui pertinho, em São Cristóvão.  É atualmente o único orgulho do Vasco, ser o único dos grandes cariocas que possui estádio.

O Maracanã forma, junto com São Januário e o Engenhão o grupo dos três grandes estádios da cidade.  O mais antigo deles é a praça vascaína, cuja história de construção renderá um post a parte algum dia.  O Maracanã como todos sabemos foi feito para a copa de 50 e não nos trouxe muita alegria.  O Engenhão foi feito para o Pan 2007.  Já estive mais de uma vez em cada um desses grandes estádios.

O engenhão é belíssimo e, ainda quero correr os 400m naquela pista de atletismo só por dar uma volta nela.  No entanto é um estádio frio, carece de história, é artificial.  O Botafogo não é dono dele, ele pertence a prefeitura do Rio que o alugou e, ultimamente o Botafogo, bem como todos os cariocas não tem muitas coisas para marcar na história.  Mas o maracanã sim, é o mais famoso de todos, é um estádio mundialmente conhecido.  Deveria ser, por importância moral, a casa da seleção brasileira (mas esta se mudou para a Inglaterra).

Pelo gramado do Maracanã já se viu desde o gol de Gigghia até a vitória do Fluminense sobre o Atlético Goianiense de tudo.  Os maiores craques do mundo passaram por ali.  E também as pessoas mais influentes do mundo, porque nem só de futebol viveu o Maracanã.  E foi graças a um evento off-futebol que pude pisar o gramado do maracanã (sonho antigo).  Eu fui ao show do Monobloco no dia 19/05/2010.

Ou seja, agora eu tinha algo em comum com Pelé, Garrincha, Tostão, Zagallo, Zico, Dinamite, Rivelino, Romário, Frank Sinatra, João Paulo II, entre outros:  Também pisei o gramado do maracanã.  Aquele solo já recebeu de tudo, e agora recebeu também a minha pessoa.

O gramado do maracanã tem história para todos os lados.  Tanto que, se um dia o estádio for demolido, uma parte dele deve ser preservada.  Os ingleses, ao demolirem Wembley para construí-lo moderno chamaram o Pelé para fazer o último gol do estádio e guardaram partes do gramado original.  Pisar ali é sentir-se em outro mundo, você é levado a pensar na grandeza do local que você está.

Ali tem a ponta da área onde o Robinho deu um drible antológico no equatoriano, tem as traves que já viram de tudo (uma delas é chamada de gol do Pet, graças aquela falta de 2001.  Um golaço e algo que tem que ficar na história dos flamenguistas, mas ainda vou achar um fato mais importante para aquela trave para tirar esse apelido dela).

Só para vocês terem uma idéia do quanto eu acho aquele local místico, como presente de aniversário para minha mãe demos a ela ingresso para o show do Roberto Carlos no maracanã.  O ingresso dela era gramado e eu quase fui junto, apenas para entrar no gramado do maracanã.

Sim, podem me considerar meio doido com essas coisas de simbolismos e memórias, mas é verdade eu gosto desse tipo de coisa.  Isso é mais comum entre os ingleses e americanos, nós vemos que eles preservam essas relíquias.  Aqui no Brasil isso não é normal, pelo contrário, normalmente são taxadas de velhas e irrelevantes e que precisam dar lugar ao novo.  O gramado do maracanã até o próprio estádio um dia terão que dar lugar a um novo mas, o antigo precisa ser preservado de alguma forma.  Algo como o que os ingleses fizeram com Wembley.

Também me senti diferente na primeira vez em São Januário.  O estádio cruz-maltino possui uma história invejável também, e ao entrar, ainda mais nas cadeiras por conta do piso, mergulha você em uma história linda.  Mas lá, a sensação era de se juntar a uma massa, de fazer parte de um grupo, de se sentir como mais um em algo grande, que no caso era torcer pelo Vasco.  Quando fui ao engenhão já era tudo mais artificial, não que o estádio seja ruim.  Só carece de história.

Mas o maracanã é um caso a parte.  Compõe os principais e mais conhecidos cartões postais do Rio, é mundialmente famoso e está ao lado do Cristo e do Pão de Açúcar no que os gringos mais querem ver no Rio de Janeiro.  Estar no gramado então é estar numa das almas da cidade maravilhosa.  É um lugar sagrado de uma cidade sagrada.  O mundo não existiria sem o Rio de Janeiro.

É um lugar que te leva para outra dimensão um mundo novo.  Algo que faz você se sentir dentro de um mundo diferente.  Fazer essas coisas deixa você mais importante que um ser humano comum, faz com que você se sinta melhor, faz com que você se sinta aquele ser superior que o mundo chama de carioca.

“Quando Deus criou a Terra, a primeira coisa a ser feita foi o Rio de Janeiro, para inspirá-lo para fazer o resto do mundo”  (A frase é minha mesmo)

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Carioquice. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para O solo sagrado

  1. Elaine disse:

    Pow…nem me chamou para o evento! snifff…fiquei assistindo um pouco em casa….show o post, e o show deve ter sido mais show ainda!
    bjos

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