The First Time

(Preciso parar de usar títulos em inglês)

Bem, como poderiam imaginar, este post vai contar uma primeira vez.  Não, não pensem besteira, esse é um blog de família.  A semana que passou marcou a primeira vez que voei, ou andei de avião, dá no mesmo.  Uma coisa absolutamente normal pra todo mundo, mas, sei lá, acho que isso marca a gente.

A aviação sempre esteve no meu sangue.  Diz a minha mãe que quando eu era pequeno minha diversão era colorir os aviões das revistas.  Aliás, só aviões e ônibus.  Nunca me interessei muito por colorir os outros desenhos de revistas infantis.  Eu lembro de um anúncio de uma companhia aérea (possivelmente a VASP) que vinha nas Vejas da vida que era em preto e branco e eu sempre pintava o avião.

A minha profissão se deve um pouco a aviação.  Sempre gostei da aviação militar e queria pilotar caças, mas, num país como o Brasil com tão poucos e tanta gente boa, é muito difícil.  mas sempre me interessei bastante e no primeiro grau eu já sabia como os aviões voavam e como dirigiam seus voos (sim, sabia pra que serviam flaps, ailerons, etc…  Mesmo que apenas qualitativamente).

Aliás, as pessoas que vão fazer engenharia mecânica o vão porque invariavelmente adoram carros e/ou aviões.  Isso pode compreender motores, estrutura, design, aerodinâmica, seja o que for…  Toda a aplicação da engenharia mecânica acaba compreendida nessas duas máquinas.

Também, parando pra pensar, a asa de um avião deveria ser considerada uma obra de arte.  O desenho e a funcionalidade dela tinha que ser comparado a arte de da Vince ou Michelangelo pra ficar apenas em duas tartarugas ninjas e muito melhor que essas telas de arte moderna que se vê hoje em dia.  Há tanta coisa envolvida ali, todo o controle e sustentação da aeronave está ali, feito com precisão, cada pecinha tem seu lugar e sua função e o voo ficaria muito pior sem ela.  Enfim, Santos Dumont foi genial ao conceber a invenção.  Microchip é o cacete, a invenção do século XX é o avião.

No meu caso, a engenharia mecânica existe por causa dos aviões.  Fui fazer esse curso pois gostava de aviões.  gosto da aerodinâmica, queria saber como eles funcionam desde o básico até os detalhes de perfis de asa e das turbinas.  E não tinha lugar melhor para isso do que um curso de engenharia mecânica.  O ideal seria ter ido para o ITA mas…  Não deu.

Enfim, eu era um aficcionado por aviões que havia ido três vezes ao aeroporto, não tendo ido muito mais longe do que o saguão e não chegado mais perto do que uns 30 metros e um vidro de uma aeronave.  Visitei museus, na base de Santa Cruz.  E só.  Mas sempre que passo pela linha vermelha olho para o lado procurando alguma aeronave (dirigindo isso tem se tornado um perigo).

Andar de avião está na lista de coisas que eu preciso fazer antes de morrer.  Inclui aí uma viagem intercontinental, mas essa ainda não dá.  não por enquanto, mas uma parte dela já foi, ou seja, fiz uma viagem aérea.

Era uma questão de tempo para isso ocorrer.  Claro, agora que eu já era engenheiro formado, uma profissão que exige viagens cedo ou tarde viria.  Nem que fosse nas férias para algum lugar.  A idéia dessa viagem já estava amadurecendo.  E de repente surgiu uma oportunidade.  A Pam-membranas decidiu me mandar para a feira da mecânica em SP… de avião.

É bem verdade que eu fiquei pensando em como reagiria a estar no avião.  Pensei que eu poderia dar um ataque de pânico quando fechassem a porta e acabar expulso da aeronave, ou sei lá, isso com medo do avião cair.  Eu sou um pouco medroso, não sou fã de brinquedos de parque de diversão (mas é muito por eles terem uma manutenção bem porca), o que diria de um avião.  Quando criança tive medo de elevador!  Estar numa aeronave poderia ser uma catástrofe mental para mim.

O voo sairia do Rio (GIG) as 06:40.  O check in fecha uma hora antes, isso quer dizer que eu tinha que chegar lá as 05:40.  As coisas já começam por acordar cedo, mas quem disse que eu dormi direito na noite anterior?  O voo não me saía da cabeça.  Tinha pesquisado meteorologia, cartas aéreas, a frota da companhia aérea, tudo.  E isso nem por medo, mas mais por entusiasmo e curiosidade com a viagem mesmo.

Aí desde que me encontrei com o pessoal que iria comigo do trabalho até o avião, tinha que disfarçar o medo de “Hoje é um bom dia para morrer” e também o entusiasmo de garoto com a idéia de voar pra não pegar mal e fazer parecer tudo absolutamente normal.  E assim passei o tempo desde que me buscaram no alojamento da UFRJ até estar no avião.

O embarque foi a moda antiga.  pra que finger? Só pra descer até a pista e pegar um ônibus para o avião que estava do outro lado.  torna tudo mais divertido, você pensa em como eram os embarques e desembarques na época glamourosa da aviação, em João Paulo II beijando o chão, etc…

Quando entrei e me acomodei, paguei o preço por assistir a tantos documentários sobre acidentes aéreos.  Ao subir na escada para a aeronave não pude evitar de olhar para os tubos pitot do avião, por exemplo.  Você sabe que acidentes acontecem na soma de um monte de coisas pequenas e você pensa nessas coisas que podem dar errado.  Mas, nada de pânico, as belas aeromoças puderam fechar a porta sem que eu desse um surto, mesmo tendo me lembrado do filme “premonição”.

A decolagem de certo é a parte mais legal do voo.  Ainda mais quando é feita do Rio de Janeiro.  o sobrevoo sobre a cidade a faz mais maravilhosa do que nunca.  E você brinca de achar os locais.  Minha diversão foi ter visto o Engenhão.  Depois a zona sul, e o mar.  Eu estava sentado próximo ao bordo de ataque da asa de bombordo, portanto vi muita água, o Atlântico estava ao meu lado.  As vezes algumas ilhas passavam abaixo, e uns navios que pareciam estar parados no meio do mar.  Lembrei-me do título de um livro sobre os aviadores na II guerra mundial “Azul sem fim”  Era isso que eu via.

E quando passa uma ilha e eu calculo estarmos sobre Angra, o comandante informa que era Santos e que haveria uma demora por conta do tráfego aéreo em GRU.  Foram quatro voltas sobre Santos.  Não me incomodaram nem um pouco.

O pouso traz um pouco de apreensão.  Fora todos os detalhes técnicos que eu observava na asa e que vou poupar-lhes aqui, dá um certo medo.  Você vê tudo chegar perto, de repente já dá pra ver os carros passando, já identifica as coisas, consegue ler os galpões…  Mas foi tudo numa calma que era ótimo para caras como eu que estavam voando pela primeira vez.

E aí, estava eu em Sampa, para a feira e logo mais a noite, a volta para o RJ.  Outra experiência divertida.  Por mais cansado que estava, não ia ser no avião que eu iria dormir.  Tenho cama pra isso.  O tráfego em GRU é intenso e, um prato cheio pra quem gosta de avião.  Você vê muitos dos modelos da aviação comercial por lá juntos.  E eu num 737-300.  Nada contra esse simpático avião.

Tive vergonha na ida e, na volta tomei coragem, em parte graças as cervejas de SP, ao chegarmos no Galeão, mas em consideração a tripulação que trabalhara o dia todo e estava doida para ir pra casa não pedi para visitar a cabine.  Não faço idéia se eles permitiriam, mas…

E assim terminou minha primeira experiência aeronáutica.  Em dois rotineiros voos RJXSP.  Tudo normal, num voo que todos esquecerão exceto o bobão aqui que voava pela primeira vez. Devo a experiência a Pam-membranas e a Webjet.  Recomendo a companhia aérea para seus voos.  São bastante simpáticos, solícitos e foram pontuais no meu caso.

Para registro o voo da ida foi o 6772 e o da volta o 6773.  Isto em 13/05/2010.  Não deu pra pegar os prefixos das aeronaves, o que foi uma pena.

Ah, já ia esquecendo, mesmo sendo proibido, filmei a decolagem.  Não podia deixar passar não acham?  E bem, nessa fico esperando quando será a próxima vez

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Sobre Fernando Vieira

Engenheiro Mecânico. Trabalha no Rio mas mora em Petrópolis. Fez esse blog, pra comentar sobre tudo um pouco mesmo sem entender de nada.
Esse post foi publicado em Aviação e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para The First Time

  1. Fernando disse:

    Excelente post! Ninguém poderia ter feito melhor! Além do que o autor é fera!!!

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